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  TDAH em meninas e mulheres
 
   
    TDAH e Mulheres - Parte 4
 
 

A maior parte do que se escreveu e pesquisou sobre TDAH estava tradicionalmente dirigido aos homens, já que se acreditava serem eles 80 % dos portadores.

Entretanto, já há algum tempo, pesquisadores tem chamado atenção para as diferenças entre homens e mulheres na expressão do transtorno. Alguns autores vêm se dedicando há algum tempo, ao estudo específico do TDAH em meninas e mulheres.

Atualmente mais mulheres estão sendo diagnosticadas, com a melhor identificação do tipo predominantemente desatento (SEM hiperatividade). Meninas e mulheres com TDAH lutam com uma variedade de problemas que são diferentes daqueles que os homens enfrentam.

Nem todos os pais ou professores ouviram falar em TDAH. E não devemos esquecer que a maioria deles, quando ouve esse termo lembra com freqüência de um menino pequeno e agitado.   

A maior parte dos meninos com TDAH é mais facilmente identificável, seja na sala de aula seja no lazer, e com mais freqüência são levados para uma avaliação. A maior parte das escalas e questionários de avaliação enfatizam os aspectos da hiperatividade, da impulsividade e do comportamento desafiador. E apenas as poucas meninas que são parecidas com esses meninos é que são levadas a alguma avaliação. Com isso continuamos com aquela taxa enganosa de 4 : 1 (quatro para um).  

Pode-se traçar um paralelo entre as formas tradicionais (tipo misto, tipo predominantemente hiperativo-impulsivo e tipo predominantemente desatento) e a maneira como os sintomas se expressam nas meninas e nas mulheres. Esse paralelo é bastante útil para compreender as variações sobre esses três tipos.

O que se percebe agora é que muitas meninas não foram diagnosticadas porque seus sintomas se mostram diferentes. Uma grande diferença é que as meninas são menos rebeldes, menos desafiadoras, em geral menos "difíceis" que os meninos. Mas "ser menos difícil" em vez de ajudar, só dificultou o reconhecimento do problema. Enquanto meninos causam freqüentes problemas com a disciplina, em casa ou na escola, e rapidamente se procura uma orientação, as meninas, por serem mais cordatas, dificilmente são identificadas, e vão passando ano após ano na escola sem usar todo o seu potencial.

No entanto, meninas com TDAH não são todas iguais. Quando seu comportamento é parecido com o TDAH em meninos o reconhecimento é mais fácil. Mas mesmo as que são do tipo Misto ou do tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo, nem sempre são tão parecidas com os meninos. E é aí que elas ficam sem diagnóstico. 

As meninas e mulheres que apresentam sintomas de Hiperatividade e Impulsividade mais marcantes os expressam de forma diferente da dos meninos. São frequentemente menos rebeldes, menos opositivas, e a Hiperatividade se expressa  através da fala e da ação. Como a comorbidade com os Transtornos de Ansiedade e Depressão são os mais freqüentes, costumam ter uma instabilidade emocional importante, com freqüentes mudanças de humor.

As meninas com o tipo Predominantemente Desatento se mostram sonhadoras e tímidas.  Se esforçam para não chamar a atenção sobre si mesmas. Aparentam estar ouvindo enquanto suas mentes divagam. Podem parecer ansiosas em relação à escola, esquecidas e desorganizadas com o dever de casa e atrasar a entrega de trabalhos. Costumam ter um ritmo lento e a sensação de sobrecarga. Algumas são ansiosas ou depressivas e vistas erradamente como menos inteligentes do que realmente são.

No tipo Misto apesar de terem um nível de atividade muito mais alto que as desatentas, elas não são necessariamente hiperativas. A agitação se mostra através da fala mais intensa.

O discurso pode ser confuso pela dificuldade em organizar seus pensamentos, e  tentam disfarçar a desorganização e o esquecimento. Na adolescência podem tentar compensar a pobre performance acadêmica  se expondo a riscos com fumar, beber e iniciar vida sexual ativa, precocemente.  

Quanto mais inteligente, mais tarde os problemas acadêmicos tendem a aparecer. Muitas meninas com QI acima da média podem progredir até chegar ao nível secundário, ou mesmo à faculdade. À medida que a vida escolar se torna mais exigente e complicada, nos níveis superiores, a dificuldade com a concentração, organização e conclusão tem maior probabilidade de aparecer. As disfunções executivas ficam mais visíveis à medida que as exigências sociais progridem.


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