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  TDAH em meninas e mulheres
 
   
    TDAH e Mulheres - Parte 2
 
  Dando continuidade ao artigo anterior, sobre TDAH e mulheres, creio que seria útil ter uma visão geral sobre a questão. Alguns autores que se dedicam preferencialmente ao assunto, traçam um paralelo entre as formas tradicionais ( tipo misto, tipo predominantemente hiperativo-impulsivo e tipo predominantemente desatento ) e a maneira como os sintomas se expressam nas meninas e nas mulheres. Esse paralelo é bastante útil e a partir dele fica mais fácil compreender as variações sobre esses três tipos.
No nosso meio nem todos os pais ouviram falar em TDAH. E também não devemos esquecer que a maioria deles, quando ouve esse termo "TDAH " lembra com freqüência de um menino pequeno e agitado.
 
A maior parte dos meninos com TDAH é facilmente identificável, seja na sala de aula seja no lazer, e com mais freqüência são levados para uma avaliação. A maior parte das escalas e questionários de avaliação enfatizam os aspectos da hiperatividade, da impulsividade e do comportamento desafiador. E apenas as poucas meninas que são parecidas com esses meninos é que são levadas a alguma avaliação. Com isso continuamos com aquela taxa enganosa de 4 meninos :1 menina.

O que estamos começando a perceber agora é que muitas meninas não foram diagnosticadas porque seus sintomas se mostram diferentes. Uma grande diferença é que as meninas são menos rebeldes, menos desafiadoras, em geral menos " difíceis " que os meninos. Mas " ser menos difícil " em vez de ajudar, só dificultou o reconhecimento do problema. Quando meninos causam freqüentes problemas com a disciplina, em casa ou na escola, rapidamente se procura uma orientação. As meninas por serem mais cordatas dificilmente são identificadas, e ficam prejudicadas em vários aspectos de suas vidas. Mas as meninas com TDAH não são todas iguais. Quando seu comportamento é parecido com o TDAH em meninos o reconhecimento é mais fácil. Mas mesmo as que são do tipo Misto ou do tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo, nem sempre são tão parecidas com os meninos. E é aí que elas ficam sem diagnóstico.
 
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  "Meninas Levadas" com TDAH
  Freqüentemente as meninas hiperativas são " levadas ". São fisicamente ativas, com inclinação para atividades mais arriscadas como subir em árvores, exploração e brincar com os irmãos ou com os meninos da vizinhança. Podem gostar de futebol, natação ou andar a cavalo mas são menos atraídas pelas atividades consideradas " femininas " . Mas diferentemente dos meninos com TDAH, essas meninas são mais cooperativas em casa, e podem se esforçar muito para agradar os professores na escola. A caligrafia pode ser ruim, são freqüentemente desorganizadas, quase sempre estão atrasadas e seu quarto é uma bagunça. Mas em vez de suspeitarem de TDAH, pais e professores as vêem apenas como indisciplinadas e pouco inclinadas para o estudo.
 
"Sonhadoras" com TDAH
  As meninas com o tipo Predominantemente Desatento são freqüentemente sonhadoras, tímidas. Sua desatenção pode passar desapercebida na escola porque elas se esforçam muito para não chamar a atenção sobre si mesmas. Muitas meninas quietinhas com TDAH parecem estar ouvindo seus professores, enquanto suas mentes divagam a milhas de distancia dali. Essas meninas sempre parecem ansiosas em relação a escola. Podem ser esquecidas e desorganizadas em relação ao dever de casa e ficam preocupadas quando as datas de entrega de trabalhos se aproximam. Podem ir para o quarto fazer o dever de casa e ficar sentadas sonhando em silencio até que se assustam com alguém entrando. Podem parecer facilmente sobrecarregadas e operar em " marcha lenta ". Algumas são ansiosas ou depressivas e são vistas erradamente como menos inteligentes do que realmente são.
 
"Faladeiras" com TDAH
  Um terceiro tipo é a combinação dos tipos Hiperativo e Desatento. Apesar de terem um nível de atividade muito mais alto que as "sonhadoras", elas não são necessariamente "levada". É comum serem mais faladeiras, mais tagarelas do que propriamente hiperativas. Costumam ser "tolinhas" , excitáveis e muito emotivas. Quase sempre conversam em sala de aula e tem dificuldade em ficar quietas mesmo quando são disciplinadas quanto ao falar. Às vezes tem dificuldade em narrar um fato, uma história ou contar um filme porque com freqüência esquecem detalhes , voltando a narrativa e confundindo o ouvinte. Ou seja, o discurso é muito confuso porque têm dificuldade em organizar seus pensamentos antes de começar a falar. Apesar disso podem também exercer papel de líder. Elas são ativas, falantes e gostam de estar por perto, no meio do movimento. Suas amizades podem ser mais dramáticas, repletas de reações exageradas e discussões. Essas meninas podem adotar uma personalidade superficial, fútil, para disfarçar a desorganização e o esquecimento. Na adolescência podem compensar a pobre performance acadêmica tornando-se muito populares e correndo riscos com fumar, beber e iniciar vida sexual ativa, tudo isso muito cedo.
 
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  Meninas muito inteligentes com TDAH
  Pode ser mais difícil descobrir quando meninas muito inteligentes têm TDAH. Quanto mais brilhante, mais tardiamente os problemas acadêmicos tendem a aparecer. Muitas meninas com QI acima da média podem manter-se academicamente bem até chegar ao nível secundário , ou mesmo à faculdade. À medida que a vida escolar se torna mais exigente e complicada nos níveis superiores, seus problemas com a concentração, organização e conclusão tem maiores probabilidades de aparecer.
 
O custo de crescer sem diagnóstico
  Meninas com TDAH não diagnosticado freqüentemente pagam o preço de serem vistas como tontas, aéreas ou pouco inclinadas ao estudo ( pouco inteligentes ). Devido a desorganização interna e a dispersão muitas dessas meninas começam várias coisas (cursos, esportes, passatempos, etc.), mas logo abandonam. Atividades como aprender um instrumento musical, que exige disciplina e perseverança, raramente vão adiante. Além de ficarem para trás nos estudos, elas próprias começam a se ver como "perdedoras" com poucos talentos. Podem ser rejeitadas por pais e professores como indisciplinadas e como conseqüência não reconhecerem suas próprias habilidades.
 

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responsável: Dra Kátia Beatriz Correa e Silva
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