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maior parte do que se escreveu e pesquisou sobre TDAH estava tradicionalmente
dirigido aos homens, já que se acreditava que eles eram 80
% das pessoas com TDAH.
Entretanto, já a algum tempo, pesquisadores tem chamado
atenção para as diferenças entre homens
e mulheres na expressão do transtorno. Alguns autores,
como K. Nadeau e P. Quinn, vem se dedicando desde 1996, ao
estudo específico do TDAH em meninas e mulheres. O
texto a seguir contem muitas informações do
site que elas mantêm sobre TDAH em mulheres, em informações
de outros sites e na nossa própria experiência
clínica.
Atualmente mais e mais mulheres estão sendo identificadas,
especialmente agora que estamos alertados sobre o tipo predominantemente
desatento ( sem hiperatividade ). Meninas e mulheres com TDAH
lutam com uma variedade de problemas que são diferentes
daqueles que os homens enfrentam. Com este texto pretendemos
lançar alguma luz sobre algumas dessas diferenças,
e falar sobre alguns tipos de dificuldades enfrentadas pelas
mulheres com TDAH. |
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Características na Infância de Meninas com TDAH
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Vamos ler
as recordações que duas mulheres com TDAH têm
de suas infâncias e adolescências. Maria é
introvertida, predominantemente desatenta, e tem lutado contra
a Ansiedade e a Depressão além do TDAH, durante
a infância, a adolescência e a idade adulta.
"A coisa que eu mais me lembro era de sempre
me sentir magoada. Gostava muito mais de brincar com apenas
uma amiga. Quando alguém zombava de mim, eu nunca sabia
como me defender. Me esforçava o máximo na escola, mas odiava
quando a professora me chamava em aula. Metade do tempo
eu nem sabia sobre o que era a pergunta. 'As vezes tinha
dores de estômago e implorava a minha mãe para faltar a
escola." Maria, 34 anos.
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Essas recordações são muito diferentes daquelas típicas de
um menino com TDAH de escola primária. Ela era hipersensível
a críticas, tinha dificuldades com o rápido "toma lá dá cá"
das interações sociais, e se sentia socialmente inadequada,
exceto quando estava em companhia de sua única melhor amiga.
Além disso, ela era muito obediente e seu maior desejo era
o de preencher as expectativas da professora e não chamar
a atenção sobre si. Sua distração a deixava agoniada por causa
da desaprovação da professora e da vergonha diante dos colegas.
Laura era do tipo hiperativo-impulsivo, mais parecido com
o tipo encontrado em muitos meninos com TDAH. Ela também se
lembra de ser teimosa, irritada, desafiadora e rebelde e fisicamente
hiperativa. Era também muito sociável. Apesar de não possuirmos
ainda estatísticas adequadas para os padrões de TDAH em meninas,
parece que mulheres como Laura são a minoria quando examinamos
os padrões do TDAH. "Posso me lembrar que
na escola primária achava tudo frenético. E brigava com
minha mãe quase todas as manhãs. Na sala de aula estava
sempre pulando de um lado para o outro, falando e passando
bilhetes. Alguns dos meus professores gostavam de mim, mas
outros - os mais rigorosos - não. E eu os odiava. Eu discutia
muito e me descontrolava. Também chorava com facilidade,
e alguns dos meninos da sala gostavam de implicar comigo
até me fazer chorar". Laura, 27 anos. |
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Embora seja visível, em Laura, a tendência a discutir e desafiar,
o que é mais freqüente nos meninos, podemos perceber também
que como muitas meninas com TDAH ela era sociável e hiperemotiva.
A vida para Laura, assim como para algumas meninas com TDAH,
era como uma montanha russa emocional. Ela era muito desorganizada
e tinha uma tolerância muito baixa para o estress. |
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Meninas adolescentes com TDAH |
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Vamos ver
as recordações de Maria e Laura das suas adolescências. Para
cada uma delas a vida pareceu ter se tornado pior. A adolescência
em geral é um período difícil. Quando se soma o TDAH e a Adolescência
os problemas são amplificados e o estress é intenso
" O segundo grau foi muito difícil, simplesmente era muito
maior do que eu pudesse dar conta. Nenhum dos meus professores
me conhecia porque nunca falei em sala de aula. As provas
me deixavam em pânico. Eu odiava estudar e fazer trabalhos.
Eu achava muito difícil e deixava sempre para a última hora.
Não tive nenhum tipo de namoro no segundo grau. As pessoas
não desgostavam de mim, mas se eu fosse hoje a uma reunião
de turma ninguém se lembraria de mim. Era muito emotiva,
e ficava dez vezes pior no período pré menstrual." Maria,
34 anos.
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"Eu estava completamente fora de controle no segundo grau.
Era inteligente mas como estudante era terrível. Acho que
me esforçava muito para dar conta das coisas nas quais não
era boa. Em casa estava sempre zangada, muito rebelde. À
noite escapulia de casa depois que meus pais dormiam. Mentia
o tempo todo. Meus pais tentavam me controlar ou me castigar,
mas nada funcionava. Como não conseguia dormir a noite ficava
exausta durante o dia todo, na escola. As coisas eram ruins
a maior parte do tempo mas pioravam completamente no período
pré-menstrual. A escola não significava nada para mim."
Laura, 27 anos.
Maria e Laura apresentam quadros bem diferentes das suas adolescências.
Maria era tímida, retraída, devaneava o tempo todo, era desorganizada
e se sentia sobrecarregada. Laura era hiperativa, hiperemotiva
e vivia de uma maneira arriscada e super estimulada. |
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O que elas têm em comum
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Severa Síndrome pré-menstrual |
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Na adolescência
os problemas neuroquímicos causados pelo TDAH estão exacerbados
pela combinação com as flutuações hormonais. A combinação
desses dois sistemas desregulados resultam em tremendas oscilações
de humor, hiperirritabilidade e reações emocionais amplificadas. |
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Problemas com seus pares |
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Meninas
com TDAH parecem sofrer mais em conseqüência de
problemas de relacionamento com amigos do que os meninos.
Embora Laura tivesse muitos amigos suas emoções
turbulentas atrapalhavam. Maria, ao contrário, se sentia
sobrecarregada e isolada, e se sentia melhor em companhia
de uma amiga só. Entretanto ambas tinham a percepção
clara de que eram diferentes de suas amigas. |
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Uma sensação de vergonha : entre as meninas hiperativo-impulsivas
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Adolescentes
masculinos que sejam impulsivos e hiperativos podem ser vistos
simplesmente como mal comportados. Podem até ganhar
a simpatia de alguns colegas por se rebelarem contra a autoridade,
ou por beberem muito, ou por dirigirem perigosamente ou por
já terem uma vida sexualmente ativa. As meninas tendem
a ser muito mais reprimidas por seus pais, professores e colegas.
Mais tarde, quando adultas jovens, também se sentem
culpadas e muito envergonhadas pelo seu comportamento anterior. |
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